
sábado, 13 de novembro de 2010
Insônia

terça-feira, 24 de novembro de 2009
Silencio
quinta-feira, 28 de maio de 2009
"Um grito de amor" - enquanto você finge que não me vê...
Povos
áfrica-mãe
áfrica-amor
unidos pelo sentimento de origem
a força-amor
clamor pela vida
a veia pulsante do homem negro
que renasce em cada canto
cântigo semblante
do ritmo e movimento.
Não é o grito de dor,
de sofrimento,
é o uivo de amor
pela terra, pelo povo, pela história
um grito de alegria
que dança e ondula
cadente volúpia
do ser negro que quer ser o olho do mundo,
um olho duvida.
que seja energia vital
que brilha e vibra com batuques
próprio movimento de vida
natureza impetuosa
que traduz em dança
a expressão
da pura alma transcendente.
Imagens: Renan Rosa, com um coração genuinamente africano.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Saindo dos sonhos

Sim. Ela me disse que vivia em sonhos. A ingenuidade transborda e constrasta com a podridão humana camuflada. Nunca vi ou ouvi bom senso. O que sinto é uma amplificação do ser pequeno, aquele que "precisa ser", que precisa provocar, que transgride a generosidade decente de alguns, pelo ego. "Quero provocar". "Quero saber se ainda sou..." Que piada, gênero humano. Nem quero escolher palavras para ser melhor ou pior entendida. Não sou a moral, nem a extensão de frases cristãs. Sou feita de carne, de senso crítico, e sentidos. Alice no País das Maravilhas viu a Rainha de Copas correr, arredia, com uma aflição dos que não pagam para ver. Fracos. Estou cansada. Agradeço a benevolência de ter criado mais portas para a queda-livre. Alice não pode com tantas cores mesmo, é preciso cautela para acreditar nas pessoas. A não-esperança transforma minha paz com uma atemporalidade sedutora. Chega de achismos. O crú é o amargo chocolate dos meus dias. Sem dor, sem nada. Apenas tédio por ver a representação, a falta de lealdade, o jogo dentro do jogo. Pedi a ela que nem chegasse perto. Pedi em silêncio, secretamente. Sigo agora com a serenidade que incomoda a prostituição da mente. Quero distância de tudo que soa superficial. Isto não é um desabafo. É um tratado, para a lucidez humana...
*Imagem - Magritte
segunda-feira, 9 de março de 2009
"A versão nova de uma velha história"
me derruba?
Estou pronta.
A erva-doce
tomou meus sentidos
e deixou discreto aroma
nos fios das minhas incertezas.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Mais sobre o fogo... (ou foge de ti mesmo)

Mas!
Não fique na fossa
Faça, Fuce, Force
Mas!
Não chore na porta...
Faça, Fuce, Force
Vá!
Derrube essa porta
Trace, Fuce, Force
Vá!
Que essa chave é torta...
Lágrima: clarificai a tormenta...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Prólogo
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Morros uivantes
(extraído de A Legião Estrangeira, Clarice Lispector)
Vida bandida
o trânsito interconexo de caricaturas
a anestesia hilariante do álcool
da vida
meus traços relaxam no meu rosto crú
enquanto observo o aprendizado do jogo.
Não nasci para jogar
troco as peças em minha doce incosciência
penso em uma sobrevida
mas a vida real é soberana
e me absorve toda num exagero desconexo
e me confunde toda na multiplicidade das possibilidades
Já quis Lobão, Cazuza, Lou Reed
Já tentei serenidade quando sobrevivi
em um pêndulo transnacional
Agora nem sei colocar em palavras
o que pode ser o início deste furacão
Estou pagando pra ver
espero o sinal no outro lado de um morro uivante
uma luz, um farol quebrado
que pode mudar de lugar a qualquer momento.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Pedra, flor e espinho

"...A dor se educar ou o romper de algemas invisíveis.
Somos livres.
Menos de nossa vontade.
Mas a vontade é nossa e quem nela somos nós..."
(Resposta de F. a um e-mail fatal)
Venha pra cima se puder
É claro que não pode
Quem quer brincar com fogo?
Com as mãos em espinhos?
Quem quer brincar com a esfinge?
Com seus olhos de silêncio sagaz?
Venha me testar
E testar seus reais medos
Venha fingir que entende
estas palavras por tão menos
Venha sentir o que percebo
quando finge que vive
quando finge que respira
quando finge que busca
algo que não estará em círculo algum
nem de fogo, nem de pessoas
nem de tédio, nem de rupturas.
Venha correr em busca de pureza
De oxigênio e sentimento
Venha, corra de verdade desta vez
Porque o caminho pode ser miragem
E os meus olhos em silêncio
podem te engolir de uma vez.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Sim. É esta a resposta...

Playground love
(Air)
...
Yet my hands are shaking.
I feel my body reeling,
times no matter, I'm on fire.
On the playground, love.
You're the piece of gold
that flashes on my soul.
Extra time, on the ground.
You're my playground love.
...
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Água viva
Os cabelos estavam contrários
ao vento
A roupa já havia se fundido com o
corpo-matéria
Nada além de uma alma nua,
o giro na claridade absurda do dia
o salto na escuridão sedutora da noite
o movimento que precede o abismo
um mergulho na imensidão
dos sentidos, ouriços, anêmonas,
oceano em chamas
o vento na boca
a liberdade proferida
a dor estanque
a alegria desmedida.
Não sei do mar nem do porto que avistava
há tempos
Sei de cor as cores múltiplas
dos olhos sedentos de Netuno
Vou ao encontro, um mergulho
e do lado de dentro tento destruir as comportas
Tudo é pesado demais, e preciso da leveza pura
dos raios que penetram na água-viva
de minha alma.
É dentro da maçã que a borboleta sonha com as asas...
Sem devaneios
isto é um grito literal
que rompe e recorta a noite em retalhos.
Sem tecidos,
a nudez tão reveladora e pura
que consome vísceras em luxúria.
Sem adornos,
nem consolo frágil em peças de ouro branco e marfim
que queima a retina com um degelo contínuo.
Sem topázio, sem lirismo.
Apenas uma túnica feita de brincação
lúdico com lúcido sentido
um clarificar do dia, dos olhos que fitam
o mundo de dentro de uma maçã
indefectível.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Dissolução

Em busca de um porto
que abrigue a alma e o coração bandido
Um porto de pedra, cercado por areia movediça
que engula o ópio, o ócio, o cio da terra
digestão combustiva pelos ares
de um céu carvão anil
Em busca de nuvens
que desfaçam a formação de margens
Não há um só caminho,
uma única direção contínua...
existe o entorno, e mil voltas em saias flutuantes
em um céu rubro escarlate
O contraste é pouco, tamanho da obra humana
O porto não existe, acima do imaginário
A palavra já fora pronunciada, em tempo disforme
A música cintilou em um grito de espanto
E hoje não existe nada que recrie
a ordem, as linhas, ou as margens.
Está tudo em uma suspensão metafísica
Esperando que o ar seja apenas ar
sem espaço, e sem letras revestidas.
Uma rosa flutuante

Que estranha leveza
carrega sem perceber
meus passos e asas
ao encontro com o desconhecido?
Que estranha destreza essa
de voar sem pedir licença
sem saber o dia
em que o sol derreterá
mentes insones
sem saber o dia
em que a chuva
levará idéias derrocadas
e espelhos quebrados?
São apenas estilhaços
de um verão sem fim.
O vidro quebrado,
o tempo reguardado
volta e areia vira,
areia viva,
rosa mística,
grão flutuante.
Soundtrack: Moby - Porcelain.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
O salto: sou ilha também...
De água somos feitos
da água partimos
para a água voltamos
em torno da água deixamos
o horizonte
deitar-se
e do alto da pedra mais alta,
sobrevivemos a mais um naufrágio...
Tentar
Trucidar
Desafiar
Mortal contra ondas, da ponta da pedra.
Não há sobrevida,
Apenas um mergulho
Um convite, sem carta marcada
sem lenço, nem lágrimas para a despedida...
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
A dança que nos cega

numa atmosfera de meia-luz vermelha
tensamente morna
que incendiava meus sentidos
e recobria meus olhos marejados
com fina superfície doce.
Era o entorno.
Era ele, com olhos de ressaca
Enlouquecendo na pista com o som,
com o giro no escuro do mundo.
Foi assim, quando me pediu um beijo
nada além de um beijo
Sem pesar muito, o dei,
com a alma condensada na boca.
Lábios, língua, olhos em transe.
Assim percebi no exato instante
em que meus pés ficaram
sem um ponto de apoio
que o mesmo abismo que me conduzia
à queda-livre
também me emocionava e
trazia sublimação
Trazia um ritmo descompensado
a minha dança em uma noite sem fim.
Nada mais do que uma outra noite
em que o amanhã se funde com a chuva,
com o sol disfarçado
com as notas no asfalto
com a flor que resiste ao medo
e à falta de contato.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
"E a alma aproveita pra ser a matéria e viver..."

A lua ainda brilha
com direito a uma corda bamba iluminada
pela névoa adocicada de seus sonhos.
Sim, estamos acordados.
Quando seguiremos com passos transversais?
É a hora.
O acorde e a singeleza do movimento,
da arte e da destreza...
Somos mais do que uma única massa.
Somos a possibilidade atômica, redimensionada
sem versos, sem prosa
A única verdade possível
no dia que existe sem amanhã.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Sinestesia: a percepção aguçada em meio à explosão insone

"De olhos fechados, não me vejo"
Pensei em tornar estas palavras públicas para quem sabe, alguém mais entenda um sentido maior para este "tratado" se é que posso chamar assim...
Você entende bem quando digo que estive cansada, querendo me ver engolida pelo chão em um ciclone invisível. Este cansaço veio de um coração que aprendeu a viver pulsando freneticamente. Quando chega perto do "quase" parar, é hora de me ver dentro desta escuridão tão difusa e não menos densa. Esta escuridão também cega e desata uns outros tantos sentidos. É na escuridão que sinto a definição de formas e o sabor de cores vivas.
Vejo-me deitada em uma piscina de maçãs-verdes e mesmo que sinta vontade de bater braços e pernas procurando uma fonte límpida, algo com algum significado quase místico segura os movimentos, criando uma "quase" inércia que é o desafio das fronteiras com o resto do mundo.

Confesso que às vezes sinto medo ao fechar os olhos. Medo de não enxergar a realidade que minha mente decodifica. Medo de abrir os olhos. Pois ao voltar, a viagem revela o querer intrínseco e rejeita toda e qualquer ilusão criada há tempos pelo sistema.
O sistema pode ser condicionante e ele já me sufocara tantas vezes que preferi habitar a linha tênue entre mundos. Para reinventar talvez a possibilidade de ser e deixar de ser em segundos-luz... Demorei um tempo ou um espaço para perceber que as reinvenções também podem ser ciladas de um jogo de ilusão mortal. E não é exagero falar em "mortal", pois o que vejo ao meu lado é um exército de zumbis que já abriram mão de viver e sonham com um tempo de sobrevida que lhes parece a fórmula da felicidade.
E de que é feita esta viagem sem volta? Quais os passos dentro desta dança circular de desencanto? "Desencanto" que não é triste nem sôfrego. É simples despertar da manhã.
Existir uma busca maior é a própria viagem. É reconhecer em outros olhos a própria chama especular da expressão de humanidade. Aprender a sorrir e chorar com todos os vícios que um mundo doente apresenta desde muito cedo. Entender que o pulsar também se solidifica a cada minuto engavetado. Que a carne é fraca e perde a rigidez com uma alma subnutrida...
Não quero parar, não tenho medo do que ficou para trás... As pedras têm sua poesia, assim como o sangue do animal ferido. Esta é uma guerra com uma dualidade dilacerante, sim. Deixei para trás o colírio, o véu que cobrira meu rosto, o poço transbordando experiências e várias pedras que um dia virarão estrelas, quem sabe? Por que será que quando falo em caminho, algo tão sedimentado e árido se forma no imaginário? 
Caminho por um tapete tridimensional que a qualquer momento pode entrar em um buraco-negro no espaço. Talvez não haja o outro lado... e o espelho seja o infinito. Mesmo que entre e que perca o tapete que me carrega, estou pronta para me testar e assumir esta condução que pode ser uma queda magicamente alucinante de uma Alice sem país ou maravilhas, ou apenas um fim mais próximo da explosão.
Afinal, somos luz...

Para F., com estima.
Le Grand Finalle: não há expectativas neste tabuleiro suspenso

...
É mais fácil manter o platonismo do amor casto inatingível quando optamos por terminar uma história antes do grand finalle...
É o platônico desejo que arrebata os sentidos mais refinados.
Desejo de se ver em um desenho perfeitamente alinhado com o pôr-do-sol no horizonte, com a superfície da maçã vitrificada pelo doce sabor, com um céu estrelado e com a sensação da serenidade que se apresenta tão palpável.
É o platônico pensamento que transforma uma história em um caminho de regeneração, de transcendência e de sabedoria superior.
E nada mais é do que a ilusão estéril que finge suportar a solidão real e verdadeiramente possível, sem peças perfeitas, nem passos demarcados...