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sábado, 13 de novembro de 2010

Insônia




O momento em que o sonho torna-se a realidade sem que eu perceba; vejo formas, ouço vozes, acompanho os movimentos.
Gesticulo pouco para cessar vertigem.
O sonho dentro de mim mesma, ganha vida, e saí para fora.

Quando vejo já estou de pé, retorno à cama em uma nova tentativa.
Tentativa do quê? Salvar o mundo? Minha pele? Reviro um suspiro, aflito.
Não tem jeito. Preciso andar.
A noite silencia passos tortos com o ruído de grilos selvagens.

A sonoridade dos meus pensamentos suspira algo:
o tempo. Tic Tac bate em minha porta entreaberta.
O distanciamento de ponteiros deixa-me desconfortável, a ponto de eu correr do meu vazio em busca de um sentido.

Os minutos serenos são compassíveis de dúvidas.
Serei mesmo esta que acorda? Que sonhos trago em minha memória?
Confusa visão de lugares e meteoros.
Confusas cores.
Acordo o sol, para que dele sorva um chá de fantasia.










terça-feira, 24 de novembro de 2009

Silencio


O silencio nao me corrompe mais
aflito
soluco que brotas em pano de linho cru,
revelado.

Nao quero a hipotese obscura
do que me ofende e traz dor

Nao quero a arma estanque
jogada no chao de asfalto fumegante

Nao quero a duvida corrosiva 
de dias em que nao tive noites

Quero em vida, a vida
que sofregamente palpita em rima
sublima e sublinha a linha incolor.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

"Um grito de amor" - enquanto você finge que não me vê...


Povos

áfrica-mãe

áfrica-amor

unidos pelo sentimento de origem

a força-amor

clamor pela vida

a veia pulsante do homem negro

que renasce em cada canto

cântigo semblante

do ritmo e movimento.


Não é o grito de dor,

de sofrimento,

é o uivo de amor

pela terra, pelo povo, pela história

um grito de alegria

que dança e ondula

cadente volúpia

do ser negro que quer ser o olho do mundo,

um olho duvida.

que seja energia vital

que brilha e vibra com batuques

próprio movimento de vida

natureza impetuosa

que traduz em dança

a expressão

da pura alma transcendente.



Imagens: Renan Rosa, com um coração genuinamente africano.




sexta-feira, 15 de maio de 2009

Saindo dos sonhos



Sim. Ela me disse que vivia em sonhos.
A ingenuidade transborda e constrasta com a podridão humana camuflada. Nunca vi ou ouvi bom senso. O que sinto é uma amplificação do ser pequeno, aquele que "precisa ser", que precisa provocar, que transgride a generosidade decente de alguns, pelo ego. "Quero provocar". "Quero saber se ainda sou..." Que piada, gênero humano. Nem quero escolher palavras para ser melhor ou pior entendida. Não sou a moral, nem a extensão de frases cristãs. Sou feita de carne, de senso crítico, e sentidos. Alice no País das Maravilhas viu a Rainha de Copas correr, arredia, com uma aflição dos que não pagam para ver. Fracos. Estou cansada. Agradeço a benevolência de ter criado mais portas para a queda-livre. Alice não pode com tantas cores mesmo, é preciso cautela para acreditar nas pessoas. A não-esperança transforma minha paz com uma atemporalidade sedutora. Chega de achismos. O crú é o amargo chocolate dos meus dias. Sem dor, sem nada. Apenas tédio por ver a representação, a falta de lealdade, o jogo dentro do jogo. Pedi a ela que nem chegasse perto. Pedi em silêncio, secretamente. Sigo agora com a serenidade que incomoda a prostituição da mente. Quero distância de tudo que soa superficial. Isto não é um desabafo. É um tratado, para a lucidez humana...



*Imagem - Magritte

segunda-feira, 9 de março de 2009

"A versão nova de uma velha história"

Furacão,
me derruba?
Estou pronta.
A erva-doce
tomou meus sentidos
e deixou discreto aroma
nos fios das minhas incertezas.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Mais sobre o fogo... (ou foge de ti mesmo)


Tem dias em que me cansa

a falta de coragem para buscar sobrevida

eu subverto padrões

sem estética definida pelo figurativismo

não me dobro à influências

nem incendeio palanques


Incendeio a mim, derreto meus olhos

giro e danço, salto ao fogo

que me detém, longe da moral dos outros

que me retém, em um círculo obtuso


Você é capaz de ver além da chama?

Qual a forma desta miragem?

O movimento e o som são tribais

crús, meus ombros estão nus


Você é capaz de sentir o que te consome?

Qual a cor desta fusão latente?

O sopro e o grito te confundem,

avulsos, meus ouvidos estão no vácuo


Um abismo em chamas

Eu te chamo para saltar

Um portal de fogo, te incendeia?

Você ainda diz que está escuro e faz frio...






Faça, Fuce, Force

(Raul Seixas)


Faça, Fuce, Force

Mas!

Não fique na fossa

Faça, Fuce, Force

Mas!

Não chore na porta...

Faça, Fuce, Force

Vá!

Derrube essa porta

Trace, Fuce, Force

Vá!

Que essa chave é torta...



-"Os meus fantasmas

São incríveis

Fantásticos, extraordinários

Se fantasiam de Al Capone

Nas noites que tenho medo

De gangsters

Abusam de minha

Tendência mística

Sempre que possível

Os meus fantasmas tornaram

Minha solidão em vício

E minha solução

Em Status Quo

Ai! Meu Deus do Céu!"


Faça, Fuce, Force
Mas!
Não fique na fossa
Faça, Fuce, Force
Mas!
Não chore na porta...
Faça, Fuce, Force
Vá!
Derrube essa porta
Trace, Fuce, Force
Vá!
Que essa chave é torta...


-"Feliz por saber

Que só sei, que não sei

Q quem sabe não fala, não diz

Vida, alguma coisa acontece

Morte, alguma coisa

Pode acontecer

Que o mel é doce

É coisa que eu

Me nego afirmar

Mas que parece doce

Isso eu afirmo plenamente"

Lágrima: clarificai a tormenta...




Minha fantasia ficou pronta

e não tive forças para a subida

minhas pernas tornaram-se pesadas

o meu sorriso não me mascara

a luz do princípio da noite

precipício


Você escolhe o precipício

e a sorte da queda em outro caminho

sem olhar para dentro

e dilacerar a verdade com golpes precisos


Você se esconde do lado de fora da noite

na movimentação que não me convence mais

sem ser digno com o revés do sentimento

e estrangular a verdade com mãos de ouro fundido


Deixei que o bloco passasse

passasse o tempo de ser

o tempo de deixar de viver em erros

o tempo de deixar partir em duas partes

um sonho


De olhos fechados não me vejo

só sinto uma chama oscilante

que explode o prenúncio de racionalismo

que alimenta meu pulsar

e recria o amor que tenho que deixar...


deixar ir, com a água

deixar partir, com o vento

deixar frutificar, em outras terras

deixar consumir, com o fogo


Deixe-me só

sem mim

só deixar de estar

em um ser

só.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Prólogo

De repente percebi que
sinto necessidade deste espaço virtual, mas de certa forma vejo que houve uma extrapolação de quereres. acabo dividindo coisas e falta de sentido com pessoas que não fazem absolutamente idéia do que vivo, ou sou. isso dá algum barato? para muitos sim. re-conhecer a si mesmo na fala do outro. ou necessidade de expansão. não sou das palavras, acho que meu lance é o trapézio. gosto de alturas, suspensões, magia. não levo jeito para a grande massa. a noite me consome, e ainda assim a prefiro. depois vem a insônia. ando tensa, e já tentei disfarçar. não está dando mais. o sono é curto, o sonho é estanque. solavanco e muitas vírgulas, que faço questão de botar em negrito. introspectiva, para dentro do meu próprio espectro. gosto muito de observações. brinco de perícia meta-sensorial e sigo em busca do inconsciente. entretanto, não dá mais para me iludir, e retirar dos fatos revelações mais físicas, materializadas. sinto algo quando alguém esbarra em mim na rua. sinto quando invadem o momento em que perco meu olhar em um ponto no espaço urbanóide. a questão é, o que eu faço com isso tudo? despejo no blog, em forma de signos, códigos que certamente vão classificar como auto-ajuda. deixe o devaneio. estou em frente, no fronte. dê-me o ópio vital. não posso mais esconder minhas sombras. a projeção está armada. o circo já anunciara o próximo número. eu continuo observando o mundo dentro de seus próprios vícios, enquanto minha mente sonambula sozinha em outra calçada
.
.
.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Morros uivantes

"...mas era como se, sozinha, com um alpinista paralisado pelo terror do precipício, eu, por mais inábil que fosse, não pudesse senão tentar ajudá-lo a descer..."

(extraído de A Legião Estrangeira, Clarice Lispector)


Vida bandida
o trânsito interconexo de caricaturas
a anestesia hilariante do álcool
da vida
meus traços relaxam no meu rosto crú
enquanto observo o aprendizado do jogo.

Não nasci para jogar
troco as peças em minha doce incosciência
penso em uma sobrevida
mas a vida real é soberana
e me absorve toda num exagero desconexo
e me confunde toda na multiplicidade das possibilidades

Já quis Lobão, Cazuza, Lou Reed
Já tentei serenidade quando sobrevivi
em um pêndulo transnacional
Agora nem sei colocar em palavras
o que pode ser o início deste furacão

Estou pagando pra ver
espero o sinal no outro lado de um morro uivante
uma luz, um farol quebrado
que pode mudar de lugar a qualquer momento.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Pedra, flor e espinho




"...A dor se educar ou o romper de algemas invisíveis.


Somos livres.


Menos de nossa vontade.


Mas a vontade é nossa e quem nela somos nós..."


(Resposta de F. a um e-mail fatal)







Venha pra cima se puder


É claro que não pode


Quem quer brincar com fogo?


Com as mãos em espinhos?


Quem quer brincar com a esfinge?


Com seus olhos de silêncio sagaz?





Venha me testar


E testar seus reais medos


Venha fingir que entende


estas palavras por tão menos


Venha sentir o que percebo


quando finge que vive


quando finge que respira


quando finge que busca


algo que não estará em círculo algum


nem de fogo, nem de pessoas


nem de tédio, nem de rupturas.





Venha correr em busca de pureza


De oxigênio e sentimento


Venha, corra de verdade desta vez


Porque o caminho pode ser miragem


E os meus olhos em silêncio


podem te engolir de uma vez.





terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Sim. É esta a resposta...



Não sei como me sinto
São tantos fragmentos pelo caminho
Que não sei a cor deste céu
Sei a cor de minha alma
A cor púrpura, em chamas
O sonho desta noite
Que me revela uma porta maciça
Que fora desemperrada pelo vento
Somente o vento, e a paz
Que chegam e revestem meu silêncio.
Será que você será capaz de me ler?
De me ver nas entrelinhas do horizonte?
Aguardo sedenta pelo choque e pela fusão
Que desmistifica e transcende
Que me leva a sentir
Um vôo, que está prestes a começar...




Playground love
(Air)
...
Yet my hands are shaking.
I feel my body reeling,
times no matter, I'm on fire.
On the playground, love.

You're the piece of gold
that flashes on my soul.
Extra time, on the ground.
You're my playground love.
...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Água viva





Os cabelos estavam contrários

ao vento

A roupa já havia se fundido com o

corpo-matéria

Nada além de uma alma nua,

o giro na claridade absurda do dia

o salto na escuridão sedutora da noite

o movimento que precede o abismo

um mergulho na imensidão

dos sentidos, ouriços, anêmonas,

oceano em chamas

o vento na boca

a liberdade proferida

a dor estanque

a alegria desmedida.





Não sei do mar nem do porto que avistava
há tempos
Sei de cor as cores múltiplas
dos olhos sedentos de Netuno
Vou ao encontro, um mergulho
e do lado de dentro tento destruir as comportas
Tudo é pesado demais, e preciso da leveza pura
dos raios que penetram na água-viva
de minha alma.



É dentro da maçã que a borboleta sonha com as asas...



Sem devaneios

isto é um grito literal

que rompe e recorta a noite em retalhos.


Sem tecidos,

a nudez tão reveladora e pura

que consome vísceras em luxúria.


Sem adornos,

nem consolo frágil em peças de ouro branco e marfim

que queima a retina com um degelo contínuo.


Sem topázio, sem lirismo.

Apenas uma túnica feita de brincação

lúdico com lúcido sentido

um clarificar do dia, dos olhos que fitam

o mundo de dentro de uma maçã

indefectível.


segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Dissolução



Em busca de um porto
que abrigue a alma e o coração bandido
Um porto de pedra, cercado por areia movediça
que engula o ópio, o ócio, o cio da terra
digestão combustiva pelos ares

de um céu carvão anil


Em busca de nuvens
que desfaçam a formação de margens

Não há um só caminho,
uma única direção contínua...

existe o entorno, e mil voltas em saias flutuantes

em um céu rubro escarlate

O contraste é pouco, tamanho da obra humana

O porto não existe, acima do imaginário

A palavra já fora pronunciada, em tempo disforme
A música cintilou em um grito de espanto
E hoje não existe nada que recrie
a ordem,
as linhas, ou as margens.
Está tudo em uma suspensão metafísica

Esperando que o ar seja apenas ar

sem espaço, e sem letras revestidas.

Uma rosa flutuante




Que estranha leveza
carrega sem perceber
meus passos e asas
ao encontro com o desconhecido?

Que estranha destreza essa
de voar sem pedir licença
sem saber o dia
em que o sol derreterá
mentes insones
sem saber o dia
em que a chuva
levará idéias derrocadas
e espelhos quebrados?

São apenas estilhaços
de um verão sem fim.
O vidro quebrado,
o tempo reguardado
volta e areia vira,
areia viva,
rosa mística,
grão flutuante.


Soundtrack: Moby - Porcelain.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O salto: sou ilha também...



De água somos feitos

da água partimos

para a água voltamos

em torno da água deixamos

o horizonte

deitar-se

e do alto da pedra mais alta,

sobrevivemos a mais um naufrágio...




Tentar

Trucidar

Desafiar

Mortal contra ondas, da ponta da pedra.

Não há sobrevida,

Apenas um mergulho

Um convite, sem carta marcada

sem lenço, nem lágrimas para a despedida...


terça-feira, 23 de dezembro de 2008

A dança que nos cega



Em segundos me vi envolvida
numa atmosfera de meia-luz vermelha

tensamente morna
que incendiava meus sentidos
e recobria meus olhos marejados
com fina superfície doce.
Era o entorno.

Era ele, com olhos de ressaca
Enlouquecendo na pista
com o som,
com o giro no escuro
do mundo.
Foi assim, quando me pediu um beijo
nada além de um beijo
Sem pesar muito, o dei,
com a alma
condensada na boca.
Lábios, língua, olhos em transe.
Assim percebi no exato instante

em que meus pés ficaram
sem um ponto de apoio

que o mesmo abismo que me conduzia
à queda-livre
também me emocionava e
trazia sublimação

Trazia um ritmo descompensado
a minha dança
em uma noite sem fim.
Nada mais do que uma outra noite
em que o amanhã se funde com a chuva,
com o sol disfarçado
com as notas no asfalto

com a flor que resiste ao medo

e à falta de contato.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

"E a alma aproveita pra ser a matéria e viver..."



A lua ainda brilha
com direito a uma corda bamba iluminada
pela névoa adocicada de seus sonhos.

Sim, estamos acordados.

Quando seguiremos com passos transversais?

É a hora.
O acorde e a singeleza do movimento,
da arte e da destreza...
Somos mais do que uma única massa.
Somos a possibilidade atômica, redimensionada
sem versos, sem prosa
A única verdade possível
no dia que existe sem amanhã.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Sinestesia: a percepção aguçada em meio à explosão insone


"De olhos fechados, não me vejo"


Pensei em tornar estas palavras públicas para quem sabe, alguém mais entenda um sentido maior para este "tratado" se é que posso chamar assim...

Você entende bem quando digo que estive cansada, querendo me ver engolida pelo chão em um ciclone invisível. Este cansaço veio de um coração que aprendeu a viver pulsando freneticamente. Quando chega perto do "quase" parar, é hora de me ver dentro desta escuridão tão difusa e não menos densa. Esta escuridão também cega e desata uns outros tantos sentidos. É na escuridão que sinto a definição de formas e o sabor de cores vivas.

Vejo-me deitada em uma piscina de maçãs-verdes e mesmo que sinta vontade de bater braços e pernas procurando uma fonte límpida, algo com algum significado quase místico segura os movimentos, criando uma "quase" inércia que é o desafio das fronteiras com o resto do mundo.

Confesso que às vezes sinto medo ao fechar os olhos. Medo de não enxergar a realidade que minha mente decodifica. Medo de abrir os olhos. Pois ao voltar, a viagem revela o querer intrínseco e rejeita toda e qualquer ilusão criada há tempos pelo sistema.

O sistema pode ser condicionante e ele já me sufocara tantas vezes que preferi habitar a linha tênue entre mundos. Para reinventar talvez a possibilidade de ser e deixar de ser em segundos-luz... Demorei um tempo ou um espaço para perceber que as reinvenções também podem ser ciladas de um jogo de ilusão mortal. E não é exagero falar em "mortal", pois o que vejo ao meu lado é um exército de zumbis que já abriram mão de viver e sonham com um tempo de sobrevida que lhes parece a fórmula da felicidade.

E de que é feita esta viagem sem volta? Quais os passos dentro desta dança circular de desencanto? "Desencanto" que não é triste nem sôfrego. É simples despertar da manhã.

Existir uma busca maior é a própria viagem. É reconhecer em outros olhos a própria chama especular da expressão de humanidade. Aprender a sorrir e chorar com todos os vícios que um mundo doente apresenta desde muito cedo. Entender que o pulsar também se solidifica a cada minuto engavetado. Que a carne é fraca e perde a rigidez com uma alma subnutrida...

Não quero parar, não tenho medo do que ficou para trás... As pedras têm sua poesia, assim como o sangue do animal ferido. Esta é uma guerra com uma dualidade dilacerante, sim. Deixei para trás o colírio, o véu que cobrira meu rosto, o poço transbordando experiências e várias pedras que um dia virarão estrelas, quem sabe? Por que será que quando falo em caminho, algo tão sedimentado e árido se forma no imaginário?

Caminho por um tapete tridimensional que a qualquer momento pode entrar em um buraco-negro no espaço. Talvez não haja o outro lado... e o espelho seja o infinito. Mesmo que entre e que perca o tapete que me carrega, estou pronta para me testar e assumir esta condução que pode ser uma queda magicamente alucinante de uma Alice sem país ou maravilhas, ou apenas um fim mais próximo da explosão.

Afinal, somos luz...




Para F., com estima.

Le Grand Finalle: não há expectativas neste tabuleiro suspenso


...

É mais fácil manter o platonismo do amor casto inatingível quando optamos por terminar uma história antes do grand finalle...

É o platônico desejo que arrebata os sentidos mais refinados.
Desejo de se ver em um desenho perfeitamente alinhado com o pôr-do-sol no horizonte, com a superfície da maçã vitrificada pelo doce sabor, com um céu estrelado e com a sensação da serenidade que se apresenta tão palpável.

É o platônico pensamento que transforma uma história em um caminho de regeneração, de transcendência e de sabedoria superior.
E nada mais é do que a ilusão estéril que finge suportar a solidão real e verdadeiramente possível, sem peças perfeitas, nem passos demarcados...