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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Pedra, flor e espinho




"...A dor se educar ou o romper de algemas invisíveis.


Somos livres.


Menos de nossa vontade.


Mas a vontade é nossa e quem nela somos nós..."


(Resposta de F. a um e-mail fatal)







Venha pra cima se puder


É claro que não pode


Quem quer brincar com fogo?


Com as mãos em espinhos?


Quem quer brincar com a esfinge?


Com seus olhos de silêncio sagaz?





Venha me testar


E testar seus reais medos


Venha fingir que entende


estas palavras por tão menos


Venha sentir o que percebo


quando finge que vive


quando finge que respira


quando finge que busca


algo que não estará em círculo algum


nem de fogo, nem de pessoas


nem de tédio, nem de rupturas.





Venha correr em busca de pureza


De oxigênio e sentimento


Venha, corra de verdade desta vez


Porque o caminho pode ser miragem


E os meus olhos em silêncio


podem te engolir de uma vez.





terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Sim. É esta a resposta...



Não sei como me sinto
São tantos fragmentos pelo caminho
Que não sei a cor deste céu
Sei a cor de minha alma
A cor púrpura, em chamas
O sonho desta noite
Que me revela uma porta maciça
Que fora desemperrada pelo vento
Somente o vento, e a paz
Que chegam e revestem meu silêncio.
Será que você será capaz de me ler?
De me ver nas entrelinhas do horizonte?
Aguardo sedenta pelo choque e pela fusão
Que desmistifica e transcende
Que me leva a sentir
Um vôo, que está prestes a começar...




Playground love
(Air)
...
Yet my hands are shaking.
I feel my body reeling,
times no matter, I'm on fire.
On the playground, love.

You're the piece of gold
that flashes on my soul.
Extra time, on the ground.
You're my playground love.
...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Água viva





Os cabelos estavam contrários

ao vento

A roupa já havia se fundido com o

corpo-matéria

Nada além de uma alma nua,

o giro na claridade absurda do dia

o salto na escuridão sedutora da noite

o movimento que precede o abismo

um mergulho na imensidão

dos sentidos, ouriços, anêmonas,

oceano em chamas

o vento na boca

a liberdade proferida

a dor estanque

a alegria desmedida.





Não sei do mar nem do porto que avistava
há tempos
Sei de cor as cores múltiplas
dos olhos sedentos de Netuno
Vou ao encontro, um mergulho
e do lado de dentro tento destruir as comportas
Tudo é pesado demais, e preciso da leveza pura
dos raios que penetram na água-viva
de minha alma.



É dentro da maçã que a borboleta sonha com as asas...



Sem devaneios

isto é um grito literal

que rompe e recorta a noite em retalhos.


Sem tecidos,

a nudez tão reveladora e pura

que consome vísceras em luxúria.


Sem adornos,

nem consolo frágil em peças de ouro branco e marfim

que queima a retina com um degelo contínuo.


Sem topázio, sem lirismo.

Apenas uma túnica feita de brincação

lúdico com lúcido sentido

um clarificar do dia, dos olhos que fitam

o mundo de dentro de uma maçã

indefectível.


segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Dissolução



Em busca de um porto
que abrigue a alma e o coração bandido
Um porto de pedra, cercado por areia movediça
que engula o ópio, o ócio, o cio da terra
digestão combustiva pelos ares

de um céu carvão anil


Em busca de nuvens
que desfaçam a formação de margens

Não há um só caminho,
uma única direção contínua...

existe o entorno, e mil voltas em saias flutuantes

em um céu rubro escarlate

O contraste é pouco, tamanho da obra humana

O porto não existe, acima do imaginário

A palavra já fora pronunciada, em tempo disforme
A música cintilou em um grito de espanto
E hoje não existe nada que recrie
a ordem,
as linhas, ou as margens.
Está tudo em uma suspensão metafísica

Esperando que o ar seja apenas ar

sem espaço, e sem letras revestidas.

Uma rosa flutuante




Que estranha leveza
carrega sem perceber
meus passos e asas
ao encontro com o desconhecido?

Que estranha destreza essa
de voar sem pedir licença
sem saber o dia
em que o sol derreterá
mentes insones
sem saber o dia
em que a chuva
levará idéias derrocadas
e espelhos quebrados?

São apenas estilhaços
de um verão sem fim.
O vidro quebrado,
o tempo reguardado
volta e areia vira,
areia viva,
rosa mística,
grão flutuante.


Soundtrack: Moby - Porcelain.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O salto: sou ilha também...



De água somos feitos

da água partimos

para a água voltamos

em torno da água deixamos

o horizonte

deitar-se

e do alto da pedra mais alta,

sobrevivemos a mais um naufrágio...




Tentar

Trucidar

Desafiar

Mortal contra ondas, da ponta da pedra.

Não há sobrevida,

Apenas um mergulho

Um convite, sem carta marcada

sem lenço, nem lágrimas para a despedida...


terça-feira, 23 de dezembro de 2008

A dança que nos cega



Em segundos me vi envolvida
numa atmosfera de meia-luz vermelha

tensamente morna
que incendiava meus sentidos
e recobria meus olhos marejados
com fina superfície doce.
Era o entorno.

Era ele, com olhos de ressaca
Enlouquecendo na pista
com o som,
com o giro no escuro
do mundo.
Foi assim, quando me pediu um beijo
nada além de um beijo
Sem pesar muito, o dei,
com a alma
condensada na boca.
Lábios, língua, olhos em transe.
Assim percebi no exato instante

em que meus pés ficaram
sem um ponto de apoio

que o mesmo abismo que me conduzia
à queda-livre
também me emocionava e
trazia sublimação

Trazia um ritmo descompensado
a minha dança
em uma noite sem fim.
Nada mais do que uma outra noite
em que o amanhã se funde com a chuva,
com o sol disfarçado
com as notas no asfalto

com a flor que resiste ao medo

e à falta de contato.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

"E a alma aproveita pra ser a matéria e viver..."



A lua ainda brilha
com direito a uma corda bamba iluminada
pela névoa adocicada de seus sonhos.

Sim, estamos acordados.

Quando seguiremos com passos transversais?

É a hora.
O acorde e a singeleza do movimento,
da arte e da destreza...
Somos mais do que uma única massa.
Somos a possibilidade atômica, redimensionada
sem versos, sem prosa
A única verdade possível
no dia que existe sem amanhã.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Sinestesia: a percepção aguçada em meio à explosão insone


"De olhos fechados, não me vejo"


Pensei em tornar estas palavras públicas para quem sabe, alguém mais entenda um sentido maior para este "tratado" se é que posso chamar assim...

Você entende bem quando digo que estive cansada, querendo me ver engolida pelo chão em um ciclone invisível. Este cansaço veio de um coração que aprendeu a viver pulsando freneticamente. Quando chega perto do "quase" parar, é hora de me ver dentro desta escuridão tão difusa e não menos densa. Esta escuridão também cega e desata uns outros tantos sentidos. É na escuridão que sinto a definição de formas e o sabor de cores vivas.

Vejo-me deitada em uma piscina de maçãs-verdes e mesmo que sinta vontade de bater braços e pernas procurando uma fonte límpida, algo com algum significado quase místico segura os movimentos, criando uma "quase" inércia que é o desafio das fronteiras com o resto do mundo.

Confesso que às vezes sinto medo ao fechar os olhos. Medo de não enxergar a realidade que minha mente decodifica. Medo de abrir os olhos. Pois ao voltar, a viagem revela o querer intrínseco e rejeita toda e qualquer ilusão criada há tempos pelo sistema.

O sistema pode ser condicionante e ele já me sufocara tantas vezes que preferi habitar a linha tênue entre mundos. Para reinventar talvez a possibilidade de ser e deixar de ser em segundos-luz... Demorei um tempo ou um espaço para perceber que as reinvenções também podem ser ciladas de um jogo de ilusão mortal. E não é exagero falar em "mortal", pois o que vejo ao meu lado é um exército de zumbis que já abriram mão de viver e sonham com um tempo de sobrevida que lhes parece a fórmula da felicidade.

E de que é feita esta viagem sem volta? Quais os passos dentro desta dança circular de desencanto? "Desencanto" que não é triste nem sôfrego. É simples despertar da manhã.

Existir uma busca maior é a própria viagem. É reconhecer em outros olhos a própria chama especular da expressão de humanidade. Aprender a sorrir e chorar com todos os vícios que um mundo doente apresenta desde muito cedo. Entender que o pulsar também se solidifica a cada minuto engavetado. Que a carne é fraca e perde a rigidez com uma alma subnutrida...

Não quero parar, não tenho medo do que ficou para trás... As pedras têm sua poesia, assim como o sangue do animal ferido. Esta é uma guerra com uma dualidade dilacerante, sim. Deixei para trás o colírio, o véu que cobrira meu rosto, o poço transbordando experiências e várias pedras que um dia virarão estrelas, quem sabe? Por que será que quando falo em caminho, algo tão sedimentado e árido se forma no imaginário?

Caminho por um tapete tridimensional que a qualquer momento pode entrar em um buraco-negro no espaço. Talvez não haja o outro lado... e o espelho seja o infinito. Mesmo que entre e que perca o tapete que me carrega, estou pronta para me testar e assumir esta condução que pode ser uma queda magicamente alucinante de uma Alice sem país ou maravilhas, ou apenas um fim mais próximo da explosão.

Afinal, somos luz...




Para F., com estima.

Le Grand Finalle: não há expectativas neste tabuleiro suspenso


...

É mais fácil manter o platonismo do amor casto inatingível quando optamos por terminar uma história antes do grand finalle...

É o platônico desejo que arrebata os sentidos mais refinados.
Desejo de se ver em um desenho perfeitamente alinhado com o pôr-do-sol no horizonte, com a superfície da maçã vitrificada pelo doce sabor, com um céu estrelado e com a sensação da serenidade que se apresenta tão palpável.

É o platônico pensamento que transforma uma história em um caminho de regeneração, de transcendência e de sabedoria superior.
E nada mais é do que a ilusão estéril que finge suportar a solidão real e verdadeiramente possível, sem peças perfeitas, nem passos demarcados...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O cego e a serpente

Não mais que de repente
no segundo surdino
a serpente ondula uma dança trepidante
E envolve o cego, cansado da estrada
com buracos irregulares (seriam reais?)
Descompassado corpo, sem ver
horizonte algum que justifique
um nascer do sol
uma lua em sonata.

O cego e a serpente
seguem, amantes
em veias obliterantes
e possível apenas para os seres
de memória sensorial.

Sem memória, não há pecado

não há um único juízo final
Só existe a supremacia
latente
o prêmio intocado
a música arquitetada
e os sentidos dilatados.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Nos tempos de corrente, uma afonia aberrante




Um grande susto com o grito

que o tempo não silenciou

Um estar tão intransitivo

quanto alegórico

Um sentir tão insustentável

quanto as molas que romperam

a suspensão helicoidal em plena queda

Isso foi ontem...

o passado parece tão distante

E tão dentro que já virou uma vitrine

luminescente sem janelas.



Fora não existe
Está tudo ali
ao lado de
à espera de alguma
onda sinestésica

onde a onda lava a minha alma
onde a dor é doce
como a vida



Transladação


O UNIVERSO


Galáxia e mente em dispersão cósmica

Ali, fiquei

sentada sem sala de espera

sem chá, nem poluentes visuais

Fiquei sentada, com pouco sal

e sem lentes ou orifícios mágicos

a traduzir ou transgredir

a elipse que o tempo formava.




Por fora da ostra...



Hora de sair
de casa, da sala,
do olho do casulo.
Hora de descer as escadas
e olhar para as sombras
até se sentir cegada.
Hora de esticar as mãos,
a carne, o corpo
e dilapidar cada verdade
com uma resiliência quase supérflua
quase sublime
e quase invisível à
deformação humana.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Voilà le portrait sans retouche*



Paralisada, mas com olhos atentos
Logo estarei de volta
Pela eternidade desta viagem

Logo volto!

Sem mãos aflitas

Com olhos de luzes
Que observam o desmanchar da noite.



Alguém tentou desesperadamente
Sentir algo decente
...

Vento novo, flores e cores
...
Nos meus olhos molhados
E vejo a vida tão diferente

(retirado de A inocência do prazer - Cazuza)

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Trapaças*

Ali, parada
espremida entre paredes invisíveis
a compressão de uma mente
que brinda à insanidade

Ali, extasiada
pela significação de um maior amor
a expansão de uma mente
que recria a intensidade

Com passos tortuosos
respiração ofegante, com sutil deselegância
sôfrega e sincera
sem distinguir se é o caminho
sem definir se é mesmo o caminho

Deixei a composição,
a vela acesa,
o disco arranhado, ainda com agulha
a palavra sem rascunho,
e um silêncio imaculado
esgotado
em minutos reavaliados.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Doce invenção


Bala de goma, ciranda de pedra
Arco-íris aquarelável
com nuvens de algodão-doce
Doce pequeno ser
na aurora da fantasia
Doce sabor de pureza
em uma terra de gigantes
sonhadores
Fadas sobrevoam
a areia iluminada pelos
olhos de luzes
Notas musicais
malabares em árvores
a transformar
silenciosas taturanas
em bolhas mágicas, borboletas
Voa, em doce balão azul anil
desprenda confetes em lágrimas
Seja livre!

domingo, 2 de novembro de 2008

Longe dos olhos, perto do fogo


Fora da ordem dos sentidos
Rompendo agora, com o mundo

Estou à parte, divagando

Em uma atmosfera sem estrelas,

em um universo embrutecido.

Serenamente, te vi partir

Em segredo, espero ver tua sombra incandescente

Na água de tão límpida cachoeira.


Desejo arrancar a punhaladas cósmicas

Esta minha espera fora da ordem

e da lógica
Desejo arranhar o céu e tornar a água da chuva

letal ao meu coração

Desejo dilacerar o que quer que esteja aqui dentro,

em um silêncio perturbador
com a verdade de minha alma.

Pois o que desejo, ainda não tem nome
O que desejo, escapa-me pelas mãos,
salta e torna a bala perdida...
O que desejo foge do controle
e do maniqueísmo das relações
O que desejo está em mim, e não contigo,
aonde quer que esteja.

........................................................

De repente vi que o que buscava

não haveria de ter mesmo um nome

nem classificação alguma

Pois atônita fico, ao simples sentir

com minúsculas ações que me emocionam

com os olhos de luzes, das fabulosas crianças
Pois emotiva sou, em minha veste

camaleônica e viva

Para quem desejar,
cuspo o fogo com o nascer do dia

Para quem caminhar,
teço os segundos em flores
jasmínicas coloridas
Para quem sonhar,
lanço-me em nuvens crepusculares, livre
Para quem parar, não digo nada
Deixo que fique e dali veja o impossível.

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Trilha sonora: NUDE - Radiohead


Don't get any big ideas

They're not gonna happen

You paint yourself white
And feel up with noise

But there'll be something missing

Now that you've found it, it's gone
Now that you feel it, you don't
You've gone off the rails

...
Don't go, you'll only want to come back again.



sábado, 1 de novembro de 2008

A insônia despercebida


Ouve quem pode... o resto brinca de sono-fantasia!