terça-feira, 24 de novembro de 2009
Silencio
quinta-feira, 28 de maio de 2009
"Um grito de amor" - enquanto você finge que não me vê...
Povos
áfrica-mãe
áfrica-amor
unidos pelo sentimento de origem
a força-amor
clamor pela vida
a veia pulsante do homem negro
que renasce em cada canto
cântigo semblante
do ritmo e movimento.
Não é o grito de dor,
de sofrimento,
é o uivo de amor
pela terra, pelo povo, pela história
um grito de alegria
que dança e ondula
cadente volúpia
do ser negro que quer ser o olho do mundo,
um olho duvida.
que seja energia vital
que brilha e vibra com batuques
próprio movimento de vida
natureza impetuosa
que traduz em dança
a expressão
da pura alma transcendente.
Imagens: Renan Rosa, com um coração genuinamente africano.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Saindo dos sonhos

Sim. Ela me disse que vivia em sonhos. A ingenuidade transborda e constrasta com a podridão humana camuflada. Nunca vi ou ouvi bom senso. O que sinto é uma amplificação do ser pequeno, aquele que "precisa ser", que precisa provocar, que transgride a generosidade decente de alguns, pelo ego. "Quero provocar". "Quero saber se ainda sou..." Que piada, gênero humano. Nem quero escolher palavras para ser melhor ou pior entendida. Não sou a moral, nem a extensão de frases cristãs. Sou feita de carne, de senso crítico, e sentidos. Alice no País das Maravilhas viu a Rainha de Copas correr, arredia, com uma aflição dos que não pagam para ver. Fracos. Estou cansada. Agradeço a benevolência de ter criado mais portas para a queda-livre. Alice não pode com tantas cores mesmo, é preciso cautela para acreditar nas pessoas. A não-esperança transforma minha paz com uma atemporalidade sedutora. Chega de achismos. O crú é o amargo chocolate dos meus dias. Sem dor, sem nada. Apenas tédio por ver a representação, a falta de lealdade, o jogo dentro do jogo. Pedi a ela que nem chegasse perto. Pedi em silêncio, secretamente. Sigo agora com a serenidade que incomoda a prostituição da mente. Quero distância de tudo que soa superficial. Isto não é um desabafo. É um tratado, para a lucidez humana...
*Imagem - Magritte
segunda-feira, 9 de março de 2009
"A versão nova de uma velha história"
me derruba?
Estou pronta.
A erva-doce
tomou meus sentidos
e deixou discreto aroma
nos fios das minhas incertezas.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Mais sobre o fogo... (ou foge de ti mesmo)

Mas!
Não fique na fossa
Faça, Fuce, Force
Mas!
Não chore na porta...
Faça, Fuce, Force
Vá!
Derrube essa porta
Trace, Fuce, Force
Vá!
Que essa chave é torta...
Lágrima: clarificai a tormenta...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Prólogo
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Morros uivantes
(extraído de A Legião Estrangeira, Clarice Lispector)
Vida bandida
o trânsito interconexo de caricaturas
a anestesia hilariante do álcool
da vida
meus traços relaxam no meu rosto crú
enquanto observo o aprendizado do jogo.
Não nasci para jogar
troco as peças em minha doce incosciência
penso em uma sobrevida
mas a vida real é soberana
e me absorve toda num exagero desconexo
e me confunde toda na multiplicidade das possibilidades
Já quis Lobão, Cazuza, Lou Reed
Já tentei serenidade quando sobrevivi
em um pêndulo transnacional
Agora nem sei colocar em palavras
o que pode ser o início deste furacão
Estou pagando pra ver
espero o sinal no outro lado de um morro uivante
uma luz, um farol quebrado
que pode mudar de lugar a qualquer momento.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Pedra, flor e espinho

"...A dor se educar ou o romper de algemas invisíveis.
Somos livres.
Menos de nossa vontade.
Mas a vontade é nossa e quem nela somos nós..."
(Resposta de F. a um e-mail fatal)
Venha pra cima se puder
É claro que não pode
Quem quer brincar com fogo?
Com as mãos em espinhos?
Quem quer brincar com a esfinge?
Com seus olhos de silêncio sagaz?
Venha me testar
E testar seus reais medos
Venha fingir que entende
estas palavras por tão menos
Venha sentir o que percebo
quando finge que vive
quando finge que respira
quando finge que busca
algo que não estará em círculo algum
nem de fogo, nem de pessoas
nem de tédio, nem de rupturas.
Venha correr em busca de pureza
De oxigênio e sentimento
Venha, corra de verdade desta vez
Porque o caminho pode ser miragem
E os meus olhos em silêncio
podem te engolir de uma vez.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Sim. É esta a resposta...

Playground love
(Air)
...
Yet my hands are shaking.
I feel my body reeling,
times no matter, I'm on fire.
On the playground, love.
You're the piece of gold
that flashes on my soul.
Extra time, on the ground.
You're my playground love.
...
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Água viva
Os cabelos estavam contrários
ao vento
A roupa já havia se fundido com o
corpo-matéria
Nada além de uma alma nua,
o giro na claridade absurda do dia
o salto na escuridão sedutora da noite
o movimento que precede o abismo
um mergulho na imensidão
dos sentidos, ouriços, anêmonas,
oceano em chamas
o vento na boca
a liberdade proferida
a dor estanque
a alegria desmedida.
Não sei do mar nem do porto que avistava
há tempos
Sei de cor as cores múltiplas
dos olhos sedentos de Netuno
Vou ao encontro, um mergulho
e do lado de dentro tento destruir as comportas
Tudo é pesado demais, e preciso da leveza pura
dos raios que penetram na água-viva
de minha alma.
É dentro da maçã que a borboleta sonha com as asas...

Sem devaneios
isto é um grito literal
que rompe e recorta a noite em retalhos.
Sem tecidos,
a nudez tão reveladora e pura
que consome vísceras em luxúria.
Sem adornos,
nem consolo frágil em peças de ouro branco e marfim
que queima a retina com um degelo contínuo.
Sem topázio, sem lirismo.
Apenas uma túnica feita de brincação
lúdico com lúcido sentido
um clarificar do dia, dos olhos que fitam
o mundo de dentro de uma maçã
indefectível.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Dissolução

Em busca de um porto
que abrigue a alma e o coração bandido
Um porto de pedra, cercado por areia movediça
que engula o ópio, o ócio, o cio da terra
digestão combustiva pelos ares
de um céu carvão anil
Em busca de nuvens
que desfaçam a formação de margens
Não há um só caminho,
uma única direção contínua...
existe o entorno, e mil voltas em saias flutuantes
em um céu rubro escarlate
O contraste é pouco, tamanho da obra humana
O porto não existe, acima do imaginário
A palavra já fora pronunciada, em tempo disforme
A música cintilou em um grito de espanto
E hoje não existe nada que recrie
a ordem, as linhas, ou as margens.
Está tudo em uma suspensão metafísica
Esperando que o ar seja apenas ar
sem espaço, e sem letras revestidas.
Uma rosa flutuante

Que estranha leveza
carrega sem perceber
meus passos e asas
ao encontro com o desconhecido?
Que estranha destreza essa
de voar sem pedir licença
sem saber o dia
em que o sol derreterá
mentes insones
sem saber o dia
em que a chuva
levará idéias derrocadas
e espelhos quebrados?
São apenas estilhaços
de um verão sem fim.
O vidro quebrado,
o tempo reguardado
volta e areia vira,
areia viva,
rosa mística,
grão flutuante.
Soundtrack: Moby - Porcelain.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
O salto: sou ilha também...

De água somos feitos
da água partimos
para a água voltamos
em torno da água deixamos
o horizonte
deitar-se
e do alto da pedra mais alta,
sobrevivemos a mais um naufrágio...
Tentar
Trucidar
Desafiar
Mortal contra ondas, da ponta da pedra.
Não há sobrevida,
Apenas um mergulho
Um convite, sem carta marcada
sem lenço, nem lágrimas para a despedida...